sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

"Estamos entrando na era da internalização das externalidades"

O lançamento da 9ª carteira do ISE, da BMF&BOVESPA  (1ª Parte)


No dia 29 de novembro, eu estive na BMF&BOVESPA para o lançamento da carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que vigorará de 06 de janeiro de 2014 a 02 de janeiro de 2015. A carteira será composta por 40 empresas e 22 delas autorizaram a abertura das respostas ao questionário do ISE para o mercado. A BMF&BOVESPA espera que no próximo ano todas as empresas autorizem essa abertura.

O que fica claro em um evento como este é que a sustentabilidade é tema crescente também na pauta de investidores. Embora ainda haja uma grande discussão sobre o preço da sustentabilidade para as empresas, fica cada vez mais claro que os custos da insustentabilidade podem ser elevados demais para a sociedade e não há espaço para tolerá-los por muito tempo. O professor Mário Monzoni, do GVces, responsável pela metodologia do ISE, destacou: "Não é que a sustentabilidade seja cara. A insustentabilidade é que é barata e gera uma série de externalidades negativas para a sociedade. Essas externalidades precisam ser precificadas. Se o VPL* e a TIR** permanecem, precisamos inserir os custos dos modelos insustentáveis nos fluxos de caixa. Estamos entrando na era da internalização das externalidades."

O professor destacou ainda que já estão sendo desenvolvidas metodologias que insiram essas externalidades no balanço das empresas e também nas contas nacionais, para que a sustentabilidade seja formalmente pauta importante na elaboração de políticas públicas.

Algumas empresas participantes da nova carteira tiveram a oportunidade de compartilhar suas experiências. Leandro Veiga, representante do grupo Fleury, que integra pela primeira vez a carteira do ISE, se mostrou bastante otimista: "O processo foi conduzido conjuntamente pelas áreas de Relações com Investidores e sustentabilidade, mas o apoio do top management foi fundamental. A inserção na carteira do ISE propiciou a união da equipe e foi feito um exercício de reflexão e autoconhecimento nas diversas áreas da empresa."

Adriana Boscov, da Sul América, contou que os relatórios do ISE foram utilizados por investidores no processo de avaliação da empresa e representaram um grande diferencial. Paulo Senra, da Light, também destacou a importância de se fazer parte da carteira: "Estar na carteira é importante porque reforça que estamos no caminho certo e dá sentido ao termo sustentabilidade, que ainda é tão difuso. O ISE ajuda  a movimentar diversas áreas internas e os manuais servem como referência para as práticas."

Muitos executivos ainda precisam ser convencidos da importância de se incorporar a sustentabilidade na estratégia das empresas. Entretanto, os avanços alcançados não podem ser desconsiderados. "Sustentabilidade é trabalho de formiga. Um dia de cada vez. A consciência está aumentando e os executivos estão mudando todos os dias", destacou Adriana Boscov, da Sul América.

A segunda parte do evento destacou o impacto da sustentabilidade na reputação e na decisão dos investidores. Foi muito interessante, mas pra não me alongar demais, essa discussão fica para o próximo post!

Para saber mais sobre o ISE, clique aqui.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Manual do G4 em Português


Esse post é bem rapidinho, so pra deixar a dica mesmo. O Global Reporting Initiative (GRI) acaba de disponibilizar o manual do G-4 em português!


Para acessar, clique aqui.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Prêmio Empreendedor Social da Folha 2013

Inspiração. Esta palavra é a que melhor resume o que senti ontem, enquanto eu assistia a cerimônia de entrega dos prêmios Empreendedor Social de Futuro e Empreendedor Social promovidos pela Folha de São Paulo e pela Fundação Schwab. Primeiramente, já é muito legal saber que o prêmio recebeu 277 inscrições. (É muita gente tentando mudar o mundo, hein?) Depois, ir conhecendo melhor todas aquelas histórias foi uma grande injeção de ânimo pra mim.

Luiz Ribas, Diego Moreira e Alexandre Amorim, fundadores da ASID, foram os grandes campeões do Prêmio Empreendedor Social de Futuro e também foram os escolhidos pelos leitores da Folha na categoria "A Escolha do Leitor". O que os meninos fazem é simples, mas tem um grande potencial de transformação. Eles ajudam as escolas que atendem crianças especiais em Curitiba a repensarem todo o seu modelo de gestão. Ajudam essas escolas a analisarem as contas, reverem suas estratégias de comunicação e marketing, identificar os pontos que precisam ser melhorados, estabelecer objetivos e ir atrás de recursos para promoverem as mudanças necessárias. As parcerias são estabelecidas e, nesse movimento, esses economistas de 24 anos já conseguiram reformar 18 escolas para crianças especiais.

A campeã da categoria Empreendedor Social foi Merula Steagal, fundadora da Abrale e da Abrasta. As duas associações têm como objetivo melhorar a vida de portadores de doenças do sangue. O objetivo dela é trazer informações, influenciar políticas públicas, possibilitar o acesso aos melhores tratamentos e conectar pessoas que já foram curadas com pacientes, trazendo esperança e força para superar a doença. Ufs!Quanta coisa boa!

Fora os grandes vencedores, as histórias de todos os finalistas trazem muita inspiração. Juntar mãos de mulheres empreendedoras cheias de talento e ainda ajudar empresas a reutilizarem o material descartado fazendo brindes promocionais são algumas das atividades da Asta. Na Meu Rio, o objetivo é utilizar uma plataforma virtual para dar voz ao povo e pressionar o governo a ouvir a população, influenciando as políticas públicas. A Arte Despertar procura melhorar a vida de pacientes através da arte, focando no educador que faz a intermediação entre o hospital e os pacientes. A Vaga Lume resgata a arte de contar histórias para incentivar crianças a lerem mais e chamar a atenção de comunidades para as bibliotecas existentes, fazendo com que os livros saiam das prateleiras. Tony Marlon, da Escola de Notícias, juntou sua paixão por comunicação e a vontade de ajudar para fazer uma escola de comunicação na comunidade do Campo Limpo, em São Paulo, gerando renda e oportunidade de capacitação para os jovens da comunidade.

Quer mais? Sim, tem mais. Este ano foi criada também a categoria Menção Honrosa, premiando projetos alinhados com o objetivo selecionado pela Assembleia Geral da ONU. Como 2013 foi o Ano Internacional de Cooperação pela Água, quem levou o prêmio foi o José Dias, do CEPFS, que ajuda a construir cisternas e transformar realidades no interior da Paraíba. No discurso de recebimento do prêmio, o Sr. José Dias enfatizou: Para mudar sua realidade, as pessoas não precisam ser protegidas, elas precisam ser promovidas!" No ano que vem, o tema será agricultura familiar.Se você tem umprojeto alinhado a este objetivo, lembre-se de se inscrever!

Outro discurso inspirador foi o do Fernando Botelho, ganhador do Prêmio no ano passado. O Fernando é cego e transformou sua deficiência em um negócio para mudar a vida de muitas pessoas. A F123 cria tecnologias de baixo custo que possibilitam a inclusão de deficientes visuais no mercado de trabalho. A solução pode ajudar também muitas empresas que querem incluir essas pessoas em seu quadro de funcionários, mas muitas vezes não sabem como fazê-lo. (Ei, empresas, fiquem atentas a essa oportunidade!)

Tantas histórias assim, reunidas em um único palco. Não há nada melhor para nos convencermos de que somos muito mais do que duas mãos! Parabéns à Folha, à Fundação Schwab e a todos os parceiros, por incentivar esses negócios e ainda inspirar tantos outros a caminharem na mesma direção: a direção da mudança por um mundo melhor.

Para conhecer em detalhes cada um dos finalistas do prêmio da Folha e da Fundação Schwab, você pode acessar:  http://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/




quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Resiliência

Resiliência é um termo da Física e se refere ao "valor característico da resistência ao choque oferecida por um material." O leitor pode agora estar se perguntando: "Por que estamos falando disso neste blog? O que resiliência tem a ver com sustentabilidade?" Bem, eu diria que basicamente tudo.

Há algumas semanas, foram colocados aqui alguns exemplos de como a sustentabilidade pode ser parte essencial da gestão de riscos e geração de valor para as empresas no curto e no longo prazo. Se a empresa é avaliada pelo mercado no longo prazo, com base em seus fundamentos e sua capacidade de gerar valor, o investidor também deve estar atento à capacidade da empresa para lidar com imprevistos e choques inesperados. Já percebeu como resiliência e sustentabilidade estão relacionadas?

A adoção de práticas sustentáveis contribui de diversas formas para aumentar a resiliência da empresa, ou, sua capacidade de resistir a choques. Primeiramente, podemos considerar, por exemplo, as alterações climáticas. A redução de emissão de gases que provocam o efeito estufa pode ajudar a reduzir a ocorrência de variações climáticas bruscas, aumentando a previsibilidade de tais variações e melhorando a capacidade das empresas de se planejarem.

Em segundo lugar, podemos pensar também na dimensão social da sustentabilidade. O estabelecimento de uma relação de cumplicidade com as comunidades locais cria uma visão de parceria para ambas as partes. Além de construir um ambiente de negócios mais amigável, as ações que se voltam para ampliar as oportunidades de jovens através da educação e capacitação, por exemplo, colaboram também para a formação de mão-de-obra qualificada, criam um ambiente mais propício à difusão do conhecimento e à inovação, essenciais para aumentar a produtividade e a competitividade de todas as empresas.

Além disso, a capacidade de inovar é, sem dúvida, um dos fatores cruciais para as empresas resistirem a diversos tipos de choques.

Assim, incorporar a sustentabilidade ao modelo de negócio é benéfico não apenas para a sociedade, mas para a própria empresa, que aumenta sua resiliência e sua capacidade de lidar com adversidades. Muitas empresas já perceberam isso, mas o movimento está apenas começando.



segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A Dimensão Econômica da Sustentabilidade

Quando se fala em sustentabilidade, muitas pessoas pensam automaticamente no meio ambiente, conservação de florestas, reciclagem, mudanças climáticas, emissões de carbono, redução do consumo de energia ou utilização de recursos renováveis. Tudo isso é extremamente importante, mas sustentabilidade não se restringe às questões ambientais. As dimensões econômica e social também possuem grande relevância.

Além da tendência a esquecer das dimensões econômica e social, tenho percebido em conversas informais que muitas vezes há um equívoco com relação a dimensão econômica. Ao contrário do que muitos pensam, econômico não significa financeiro. Isso está muito claro, por exemplo, nos guias do GRI (Global Reporting Initiative) para elaboração dos relatórios de sustentabilidade das empresas:

"A dimensão econômica da sustentabilidade refere-se aos impactos da organização nas condições econômicas de seus stakeholders e nos sistemas econômicos em que a empresa está inserida, em âmbito local, nacional e global.  Não foca na condição financeira da organização."
(Global Reporting Initiative, Reporting Principles and Standard Disclosures, p. 5 - tradução livre)

Pra quem ficou confuso, eu explico. Avaliar a dimensão econômica não se restringe a fazer uma análise dos balanços das empresas, nem só saber se ela será capaz de gerar recursos financeiros para pagar suas contas no curto, médio ou longo prazo. A análise econômica avalia também fatores como produtividade, competitividade, a capacidade que a organização tem de gerar oportunidades no meio em que está inserida, as oportunidades de indivíduos superarem a pobreza, o conhecimento que é gerado e difundido na sociedade, o conhecimento que é absorvido da comunidade local, a geração de novas tecnologias, a interação com universidades, as repostas ou as oportunidades que surgem com as políticas públicas, os impactos causados por alterações no cenário macroeconômico, os impostos que a empresa paga, o emprego e renda que gera não só em sua cadeia de valor, mas em todas as atividades que a empresa inidiretamente ajuda a criar. Estes são apenas alguns exemplos do que está envolvido na dimensão econômica.

Assim, a realização de uma análise econômica ampla e completa torna-se estratégica não apenas por avaliar os impactos da empresa e detectar possíveis riscos, mas por possibilitar também a detecção de boas oportunidades para afetar positivamente o desenvolvimento local da comunidade em que está inserida e ainda trazer benefícios de longo prazo para a organização.


sábado, 26 de outubro de 2013

Quando a sustentabilidade chega ao CFO

Sustentabilidade e finanças 

 

Fonte: http://pagina13.org.br/wp-content/uploads/2012/06/economia_verde.jpg
Fica cada vez mais claro que sustentabilidade não é filantropia. Isso não quer dizer que a filantropia perdeu sua importância ou que não seja mais uma prática desejável, principalmente em um mundo ainda tão cheio de desigualdades e injustiças sociais como o que vivemos. A diferença é que a sustentabilidade tem se mostrado muito mais como uma oportunidade de negócios interessante, lucrativa e que ainda gera diversos efeitos benéficos para o planeta e a sociedade.

Essa nova realidade tem chegado também à mesa dos executivos de finanças das grandes empresas. Iniciativas sustentáveis refletem em redução de custos, maior estabilidade econômica, melhores resultados e melhor avaliação da empresa no longo prazo. Se sustentabilidade é garantir que as gerações futuras não serão prejudicadas pelas atividades do presente, ao avaliar a empresa no longo prazo, não é muito difícil pensar que os negócios também serão beneficiados por contribuir para uma sociedade melhor no futuro.

Entretanto, não é preciso esperar muito tempo para perceber os impactos positivos que a adoção de práticas mais amigáveis à sociedade e ao planeta pode trazer. Primeiramente, pensar em soluções de eficiência energética e no uso de água, por exemplo, reduz os custos. Fontes alternativas de energia também ajudam a empresa a reduzir a vulnerabilidade e a dependência de uma única fonte. Ao capacitar funcionários e criar condições de segurança no trabalho, a empresa aumenta sua produtividade, reduz riscos de sofrer processos trabalhistas e o custo com indenizações por acidentes de trabalho. Além disso, condições adequadas aumentam a motivação e o engajamento dos funcionários. Prestar atenção às demandas da comunidade em que está inserida e estabelecer uma relação de parceria com governos locais e organizações da sociedade civil é também estratégico na medida em que reduzem-se riscos de se encontrarem barreiras inesperadas, como protestos e barreiras legais, além, é claro, de reduzir o risco de imagem da empresa. Assim, sustentabilidade está diretamente ligada à gestão de riscos e tem que estar na pauta dos executivos de qualquer empresa.

Pensando dessa forma, fica mais fácil entender que riscos menores também poderão ser percebidos com melhores olhos pelos investidores. Com menos riscos, eles poderão atribuir uma menor taxa de desconto na avaliação da empresa e, pra quem entende um pouquinho de finanças, aumentar o valor presente da mesma. 

Quem quiser olhar a bolsa de valores, também pode ter uma surpresa agradável ao verificar o que acontece com o valor das ações de empresas com práticas sustentáveis. A comparação das séries temporais do IBOVESPA e do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da BM&FBOVESPA) tem mostrado que as empresas sustentáveis são mais estáveis e tendem a performar melhor em períodos de crises, resistindo melhor às adversidades.

Apesar de todas essas evidênicias e boas notícias, as grandes empresas ainda enfrentam grandes desafios na busca por um mundo mais sustentável. Ainda é preciso padronizar indicadores e aperfeiçoar a publicação de relatórios integrados, que levem em consideração não apenas os resultados financeiros, mas também os impactos sociais e ambientais gerados em sua operação. O GRI (Global Report Initiative) tem se consolidado como a principal ferramenta utilizada pelas empresas nesse sentido, mas está em constante evolução.

Outro grande desafio é alinhar os horizontes de tempo entre os agentes do mercado, investidores, executivos e as grandes empresas. A construção de negócios sustentáveis exige que metas e premiações não estejam ligadas unicamente a ações de curto-prazo, mas que resultados também sejam considerados de acordo com a importância que terão no futuro.








quinta-feira, 24 de outubro de 2013

"Best for the world..."

O lançamento do Sistema B no Brasil


Hoje pela manhã, eu tive a honra de presenciar o lançamento do Sistema B no Brasil. O Sistema B objetiva redefinir o conceito de sucesso no mundo dos negócios, identificando e unindo empresas que têm o propósito de fazer do mundo um lugar melhor. O termo "Empresa B" refere-se à ideia de "Benefit Corporation", criada nos Estados Unidos.

O Sistema é formado por empreendedores que acreditam que é possível fazer negócios de uma forma nova, mais sustentável, gerando lucro e ao mesmo tempo impactos sociais e ambientais positivos,  contribuindo para a criação de uma nova economia. O processo de certificação de Empresas B busca evidenciar as empresas que efetivamente centralizam seu negócio nas mudanças sociais e ambientais esperadas, separando-as das empresas que apenas dizem que o fazem. Atualmente, já são mais de 850 empresas certificadas em 28 países, das quais 75 estão na América do Sul.

No palco do evento foram apresentados diversos casos de sucesso, como as recém-certificadas AOKA, Kapa + e Maria Farinha Filmes, além das pioneiras CDI Global, Ouro Verde Amazônia, Abramar, e Plano CDE

Júlio Moura Neto, do Instituto Arapyaú, enfatizou o potencial das universidades, professores e do envolvimento da academia na formação de uma nova mentalidade a respeito do que esperar das empresas, além da necessidade de também se criarem "consumidores B", capazes de pressionar a mudança de postura das empresas e atribuírem valor àquelas que trabalham por um mundo melhor. Jay Coen Gilbert, co-fundador do B-Lab nos Estados Unidos, ressaltou que é preciso utilizar os negócios como ferramentas para fazer o bem, criando modelos e indivíduos completos, que unem a cabeça e o coração para mudar a realidade.

Os desafios também foram apresentados: como captar recursos, como trabalhar, como provar que esse tipo de negócio também pode dar resultados financeiros e ainda, como despertar o desejo dos consumidores pelo produto sustentável. Há potencial e ainda há muito o que fazer.

O auditório cheio, reunindo representantes de empresas de todos os portes e de diversos setores, mostrou que a expansão desses negócios já é uma realidade. "É uma evolução sistêmica. Um novo ecossistema já existe e ele é global", ressaltou Marcel Fukayama, do CDI Global. O Sistema B vem unir e fortalecer as tantas mãos que já empreendem por um futuro melhor. Espera-se que o movimento cresça e inspire novos empreendedores a criarem essa nova economia proposta.

Vale a pena conferir também a palestra do Jay Coen Gilbert no TEDxPhilly:


Para saber mais sobre o Sistema B, acesse: http://www.bcorporation.net/
Para mais informações sobre como mensurar os impactos socioambientais da sua empresa, acesse: http://b-analytics.net/



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Sustentabilidade corporativa: onde estamos?

Breve análise do UN Global Corporate Sustainability Report 2013


A sociedade tem mudado sua forma de ver e se relacionar com o mundo. A crescente consciência de que os recursos naturais não são infinitos e de que o aumento da desigualdade e da exclusão social são prejudiciais não apenas para as camadas mais pobres da população têm afetado decisões de consumo e de investimento e a forma de muitas empresas fazerem negócios.

Uma nova geração chega ao mercado de trabalho preocupada em alinhar valores pessoais com suas atividades profissionais. Além disso, uma nova classe de empreendedores, conhecida como "empreendedores sociais", busca gerar lucro baseando-se em um modelo de inclusão social e responsabilidade ambiental. 

Na ONU, as discussões sobre os Objetivos de Desenvolvimento Pós-2015 já reconhecem o setor privado como parceiro fundamental, juntamente com governos e a sociedade civil, para a extinção da extrema pobreza até 2030. Mas, o que tem sido efetivamente feito? Como o mundo dos negócios tem lidado com as demandas por um mundo mais sustentável?

O Relatório Global de Sustentabilidade Corporativa 2013 (Global Corporate Sustainability Report 2013), produzido pelo Pacto Global da ONU, apresenta um mapeamento das ações sustentáveis de1712 empresas de 113 países. Essa base ainda é pequena e representa em sua maioria empresas que já assinaram o Pacto Global. Isso significa que o relatório provavelmente se refere às empresas em fases mais avançadas em termos da integração dos princípios de sustentabilidade e responsabilidade sociambiental em seus modelos de negócios.

Através da análise do documento, o que se pode verificar é que ainda há um longo caminho a ser percorrido. As empresas menores ainda apresentam dificuldades em inserir ações sustentáveis em seus negócios, por falta de recursos financeiros ou falta de conhecimento sobre como fazê-lo. As grandes empresas têm avançado, mas ainda há uma grande lacuna entre falar e fazer. Enquanto 65% das empresas respondentes já se comprometeram através de seus CEOs a tomar ações mais sustentáveis, apenas 35% possuem programas de treinamento para funcionários em nível gerencial, com o objetivo de efetivamente disseminar uma cultura mais sustentável dentro da empresa.

Adicionalmente, as grandes empresas ainda têm tido dificuldades em disseminar os princípios de sustentabilidade corporativa entre seus fornecedores e demais stakeholders. Apesar de muitas delas incluirem nas listas de exigência que seus fornecedores atendam determinados requisitos, poucas possuem programas que os auxiliem a se adequarem aos princípios esperados.

A boa notícia é que já se verificou uma evolução. As empresas que firmaram o compromisso com o Pacto Global em 2009 já realizaram avanços significativos para definir suas políticas de sustentabilidade, implementar ações e monitorar os 10 princípios propostos.

Para quem ainda não sabe como agir, a ONU disponibiliza manuais de implementação de modelo de gerenciamento, que visa auxiliar as empresas no processo de mudança da cultura organizacional. Também é possível obter informações sobre diversas iniciativas e estudos de caso por questão, região e setor, a fim de aprender com outras experiências.

Os padrões estão sendo criados, os objetivos estabelecidos conjuntamente. É preciso usar a criatividade, debater, trocar informações e ideias e descobrir quais são as principais dificuldades em todas as fases de implementação de um novo modelo mais sustentável, para que as soluções possam surgir. O mundo está mudando, o ambiente de negócios e investimentos também. As empresas que não se ajustarem gradualmente às novas demandas da sociedade logo ficarão para trás.

Para acessar o GLOBAL CORPORATE SUSTAINABILITY REPORT 2013 (em inglês), clique aqui
Mais informações sobre o Pacto Global você encontra aqui





quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A blogueira sumiu???

Gente do céu! Mas o último post foi em agosto! A blogueira sumiu? Fugiu? Esqueceu do blog?

"Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí..." Não, não pessoal. Não fugi, nem esqueci do blog não. Andei por aí, vi coisas legais, fui em palestras (até em alemão, que orgulho!), aproveitei pra por a leitura em dia, conversei com muita gente, passeei, descansei, renovei as energias e os ânimos e conheci algumas coisas muito legais que vou contar aos poucos aqui pra vocês.

Depois de morar por quase 2 anos em Berlim, muita coisa mudou na minha vida. Ou talvez tenha sido só eu que mudei mesmo e voltei, pensando diferente, sentindo diferente, olhando diferente. 

Morei sozinha em Berlim, por opção. Talvez o meu aprendizado de alemão tenha sido um pouco prejudicado por isso. Afinal, mesmo morando na capital da Alemanha, a minha língua oficial era inglês, pra usar no mestrado, pra escrever minha tese, pra conversar com meus amigos e me relacionar com as pessoas no prédio da residência estudantil onde eu morava. É que lá era o jeito mais viável de morar sozinha (sim, estou falando de custos) e ainda não me sentir só, já que tinha tanta gente que estudava comigo morando logo ao lado.

Eu já tinha morado em Sampa, em um apartamento divido com mais 4 meninas. Tínhamos quartos compartilhados, trabalhávamos juntas, não tínhamos prateleiras separadas na geladeira, almoçávamos juntas, jantávamos juntas e, incrivelmente, nunca enjoamos umas das caras das outras. A minha experiência em república eu descrevo como "melhor impossível".

Então, vamos lá: se morar em repúlica me ajudaria a melhorar o alemão, se a minha experiência anterior tinha sido tão positiva, por que cargas d'água eu decidi ficar sozinha lá na moradia estudantil em Berlim?

Bom, primeiro porque eu percebi que estava aprendendo muito com a comunidade internacional que me rodeava ali. Tinha gente de todo o mundo, do Uzbequistão ao México, passando pelo Vietnam, Azerbaijão, Butão, Uganda, Eritrea, Etiópia, Ghana, Gâmbia, Canadá, Colômbia... Ah! Aquela diversidade toda e a possibilidade de estar tão próxima dela, compartilhar segredos, percepções, impressões e experiências não tinham preço! 

Mas, mais que tudo isso, eu tinha também os meus momentos a sós, tão meus, tanto tempo para refletir, olhar pra dentro, descobrir quem eu era ali, no alto dos meus 27, 28, 29 anos... Como eu precisava disso!

Por isso voltei diferente! Me sinto nova e ao mesmo tempo um pouco mais sabida pelas experiências de antes, pelas vivências de lá, e agora, muito, muito mais aberta a prestar atenção nas experiências que virão. 

Sabendo da minha ignorância que nunca diminuirá e sabendo que cada dia aprenderei mais, deixarei meus olhos abertos, o coração mais mole às vezes, ou mais duro quando necessário, o cabelo vai ao vento, mas a direção ainda sob controle. Quero que a vida me leve, mas não vou só seguir o vento, posso mudar a direção da vela para seguir meu rumo pra onde eu penso que devo ir, pra onde eu veja que estou feliz!

Talvez de agora em diante muitos me chamem sonhadora, outros tantos pensem que endoidei de vez! Mas, eu não sumi. Sou eu mesma, só que diferente. Sei pra onde quero ir e sim, quero usar essa cabeçona que Deus me deu pra fazer um mundo diferente, pra sentir que eu ajudei a fazer melhor!

O melhor é que tenho cada dia mais certeza que não estou sozinha. Tenho o sentimento do mundo, mas somos muito mais que duas mãos! Vamos que vamos, que estamos só começando!

Já, já novo post pra vocês!

"You may say I am a dreamer, but I am not the only one..." John Lennon


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

MMA por um mundo melhor: as luvas VEGAN da VEHEMENT

O MMA (Mixed Martial Arts) tem ganhado cada vez mais espaço entre os esportes preferidos dos brasileiros. Muita gente acha o esporte muito violento, mas a maioria dos atletas e fãs garante que, como todos os outros, este é um esporte do bem. Para alcançar o sucesso, é preciso não apenas força, mas técnica, treino, disciplina e hábitos de vida saudáveis.

Hoje eu conheci o Jan, um bom exemplo de como os praticantes e amantes do MMA são muito mais preocupados em construir um mundo melhor do que imaginamos. Designer gráfico, praticante de Muay Thai desde 2005 e vegetariano desde 1996, o Jan é fundador da Vehement, a primeira produtora de luvas de boxe VEGAN do mundo.

Tudo começou quando Jan precisava de um espaço para trabalhar em Berlim e acabou alugando uma mesa no espaço coletivo do Social Impact Lab (eu ainda pretendo escrever um post só sobre eles). Entre outras atividades, o pessoal do Social Impact Lab realiza trimestralmente uma competição de projetos de negócios sociais e os empreendedores concorrem a uma bolsa que inclui o espaço a ser utilizado para a realização dos projetos e uma assistência completa de coaching and mentoring, ajudando essas grandes ideias a saírem do papel.

Nesse ambiente motivador e rodeado por empreendedores soicias, Jan começou a pensar que também queria ter o seu próprio negócio de impacto. Juntando o esporte que amava com a sua vontade de proteger os animais, acabou decidindo produzir as luvas VEGAN. Seu projeto foi aprovado para conseguir o apoio do Social Impact Lab, Jan investiu suas economias e encontrou um fornecedor para produzir as luvas no Paquistão.

As primeiras luvas VEGAN do mundo


Os seus parceiros naquele país são todos cadastrados e seguem as condições adequadas de trabalho determinadas pela Organização Mundial do Trabalho (OMT). No momento, um dos maiores desafios da Vehement é conseguir o selo de "Fair Trade", além de aumentar sua rede de distribuição que ainda está concentrada na União Europeia. Além disso, Jan está programando uma viagem ao Paquistão no próximo ano, para conhecer pessoalmente seus fornecedores.

A produção começou em dezembro do ano passado e as vendas rapidamente superaram as expectativas do fundador. Os dois primeiros lotes se esgotaram e o terceiro lote já está em produção.  Foi possível ver que há um grande mercado a ser atendido e a empresa prevê vendas crescentes nos próximos meses.

Sobre as perspectivas para os negócios sociais, Jan possui uma visão bastante positiva: "Aqui na Alemanha também não temos vantagens tributárias por sermos negócios sociais. Comecei meu negócio investindo todas as minha economias e o lucro é essencial para que eu possa continuar investindo e fazer meu negócio crescer. Mas, acredito que até os bancos têm mudado o seu posicionamento e sua visão de negócios sociais. Antes os projetos eram vistos com desconfiança e era mais difícil para um empreendedor social conseguir crédito bancário. Hoje em dia, os bancos já têm percebido que negócios que geram impactos sociais e ambientais positivos também podem dar lucro. Acho que estamos apenas começando, ainda há muito espaço para que esses negócios cresçam." 

Além disso, Jan destaca que a recompensa de um negócio social é mais que financeira: "É muito bom fazer algo que gostamos e perceber que estamos gerando impactos positivos. Meu negócio tem crescido no boca-a-boca, divulgado em blogs de pessoas que acreditam na causa. Outro dia um membro de uma banda da qual eu era fã na adolescência me mandou um e-mail dizendo que é fã das minhas luvas e do meu projeto. Parecia um sonho. O lutador Mac Danzig, grande nome do MMA na atualidade, também me mandou e-mails dizendo que apoiava a minha causa e se oferecendo para ajudar com fotos de produtos da Vehement. Isso é muito gratificante."

As luvas da VEHEMENT podem ser facilmente reconhecidas, porque são brancas, com um lobo estampado. "O lobo é símbolo de força e valentia, mas também passa a ideia de ligação com a natureza, que é uma característica fundamental do meu produto", diz Jan.

O projeto está apenas começando e infelizmente ainda não é possível comprar as luvas da VEHEMENT no Brasil. Mas, quem sabe daqui a algum tempo?

Para conhecer melhor a VEHEMENT, consulte www.vehement-mma.com


Vehement: "Destrua seus inimigos, não seu planeta."



domingo, 14 de julho de 2013

Promovendo a força feminina: a Ruby Cup

Menstrual Cups
                                                   Foto: www.ruby-cup.com

Para solucionar um problema, às vezes é preciso entender a fundo suas origens. Você já pensou que em pleno século 21 uma coisa tão natural quanto menstruação pode ser uma barreira para o desenvolvimento de diversos países?

Talvez seja difícil imaginar, mas é verdade. Milhares de meninas em países em desenvolvimento abandonam a escola por não terem recursos para comprar absorventes. Além disso,  o tema ainda é tratado com preconceito em diversas culturas e após a primeira menstruação muitas meninas ficam em casa, abandonando a escola ou perdendo cerca de 20% das aulas, o que acaba sendo determinante para um fraco desempenho escolar.

Sem condições adequadas de saneamento e higiene, essas meninas e mulheres utilizam produtos totalmente inadequados durante o período menstrual, como jornais ou até pedaços de colchão velho. Tais produtos além de não serem propriamente absorventes, colocam em risco a saúde dessas mulheres, trazendo doenças e infecções.

Essas questões constituem importantes barreiras para que alguns países alcancem os objetivos do milênio propostos pela ONU, como a educação básica de qualidade para todos, a promoção da igualdade de gêneros e o empoderamento feminino, a qualidade de vida e o respeito ao meio ambiente.

 Apesar de o assunto ainda ser muito negligenciado, as fundadoras da RubyCup resolveram fazer algo para ajudar a melhorar essa situação.  O Ruby-Cup é um copinho feito de material resistente, higiênico e biodegradável, desenvolvido  na Dinamarca para substituir os tradicionais absorventes durante o período menstrual. A mulher deve colocar o copinho no interior da vagina e pode ficar até 12 horas sem trocá-lo. Depois, o copinho é facilmente lavável e pode ser esterilizado em água fervente. Isso permite a manutenção da higiene e a liberdade da mulher. O melhor é que o Ruby-Cup dura até 10 anos e também ajuda a preservar o ambiente, reduzindo a quantidade de resíduos gerados.

Mas, se as meninas não têm recursos para comprar absorventes, como elas farão para ter acesso a essa solução inovadora? A resposta é simples. Para cada copinho comprado no site da RubyCup, um copinho exatamente igual é imediatamente doado para uma adolescente no Kenya, ajudando a manter essas meninas na escola e promover o empoderamento feminino nesse país em desenvolvimento.

O caso da RubyCup mostra como entender as verdadeiras causas de um problema pode ajudar a criar simples soluções. Além disso, tecnologia aliada à vontade de fazer diferente possui um grande potencial para promover a transformação que queremos no mundo.


Ruby Sterilizer  
                                                                                  Foto: www.ruby-cup.com

Você pode comprar um RubyCup por aqui
Para saber mais como funciona, você pode dar uma olhada aqui



terça-feira, 25 de junho de 2013

Energias Renováveis



Há cerca de 2 semanas saiu o "Renewables 2013 - Global Status Report", Relatório Global de Energias Renováveis.

O documento é produzido desde 2005 e conta com mais de 500 contribuintes e pesquisadores, consolidando as informações sobre investimentos em energias renováveis em todo o mundo. O arquivo está disponível para download  e na página do REN 21 (Renewable Energy Policy Network for the 21st Century), é possível fazer pesquisas por temas e por países, visualizando as metas e os investimentos realizados em cada área.

O relatório destaca que os cinco países com maior capacidade de geração de energias renováveis são China, Estados Unidos, Brasil, Canadá e Alemanha, mas Brasil e Canadá saem da lista quando se desconsidera a energia hidráulica, sendo substituídos pela Itália e a Espanha.

A crise econômica também impôs desafios ao setor de energias renováveis com a redução de investimentos nessa área, principalmente pelos Estados Unidos e países da União Europeia. Os investimentos totais caíram de cerca de 279 bilhões de dólares em 2011 para aproximadamente 244 bilhões em 2012. A boa notícia é que o número de países com metas definidas para a geração e consumo de energia renováveis cresceu de 118 para 138.

Ainda há muita polêmica em torno das energias renováveis, principalmente se realmente se tratam de energia limpa. Entretanto, nos últimos anos, pesquisas e novas descobertas científicas têm demonstrado que é possível conciliar crescimento econômico e preservação ambiental. É preciso investir cada vez mais em pesquisas para que as soluções sejam apresentadas e a humanidade faça as pazes com o meio ambiente.

domingo, 9 de junho de 2013

Mandioca

Essa eu achei chique demais! Então teve gente que descobriu que dá pra substituir os copinhos de plástico por copinhos de... mandioca!

Elas são biodegradáveis, compostáveis, produzidas de forma limpa e utilizam matéria-prima de fonte renovável. As embalagens de mandioca são mais uma prova de que existem alternativas, mas é preciso ter criatividade, vontade e, claro, investir em pesquisa e inovação tecnológica para encontrá-las.

As embalagens de mandioca são produzidas pela CBPAK e precisam ser divulgadas para que a empresa ganhe escala de produção, torne o produto mais barato e, mais importante de tudo, para que as pessoas realmente passem a utilizar no seu dia-a-dia essa solução eco-sustentável.

Além disso, mais uma vez voltamos à ideia de sustentabilidade empresarial, que acredita que negócios que geram lucro e resultado econômico podem contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e para a manutenção do planeta.

Sustentabilidade não é um fim, é o começo e o meio, para que o nosso planeta ainda continue lindo e cheio de vida por muitas gerações.

Adote você também as embalagens de mandioca!

Imagem: CBPAK webpage: www.cbpak.com.br





quarta-feira, 29 de maio de 2013

Pra quem faz atos: ATADOS

Muita gente gostaria de fazer trabalho voluntário, mas muitas vezes não sabe como, nem onde procurar. Por outro lado, tem gente precisando de trabalhadores voluntários e não consegue encontrar.

É por isso que a Atados é uma rede social especial. Ela procura construir a ponte entre os voluntários e a demanda por eles. 

Você faz o seu cadastro de acordo com suas habilidades, sua disponibilidade e a rede faz as conexões, listando as atividades voluntárias que você pode realizar. É também possível fazer busca de atividades voluntárias por tema, público alvo ou região geográfica.

Além disso, você pode buscar e acompanhar as atividades das ONGs com as quais você se identifica.

Acho que esse também é um bom jeito de conseguir mais que duas mãos pra fazer o mundo mudar!

Voluntarie-se já!






quinta-feira, 23 de maio de 2013

Matéria Brasil

Lendo as notícias do Sustainable Brands Rio 2013, que aconteceu nos dias 08 e 09 de maio na cidade maravilhosa, eu descobri a Matéria Brasil. 

A Matéria Brasil é uma empresa diferente. Em sua página na web, a empresa é descrita como "centro de informações em inovação e economia consciente". O que ela faz é disponibilizar uma plataforma com mais de 100 fornecedores que produzem diversos tipos de materiais com baixo impacto social e ambiental. A empresa tem forte foco em inovação e pesquisa, essenciais para que as iniciativas sustentáveis se expandam em nossa sociedade. 

Há duas semanas, eu falei aqui sobre o setor 2,5 e o negócio da Raízes Desenvolvimento Sustentável, empresa que gera diversos impactos sociais positivos no Vale do Jequitinhonha. Apesar da Raízes ainda ser uma empresa pequena, ela já dá o exemplo de que o negócio social não precisa ser limitado às ONGs. Pelo contrário, ele precisa fazer parte do negócio principal da empresa, precisa estar na veia de todos os negócios.

Ao contrário do que muita gente pensa, ser sustentável não é uma atividade complementar, separada da empresa. Sustentabilidade é diferente de caridade. O objetivo não é compensar a sociedade por danos causados pelas atividades empresariais, mas sim efetivamente reduzir os danos causados e gerar benefícios sociais e ambientais. Em termos econômicos, o objetivo é reduzir a geração de externalidades negativas e trocá-las por externalidades positivas.

Para isso, os processos sustentáveis precisam permear toda a atividade da empresa, desde a produção de matérias-primas até o último descarte das embalagens e produtos, feito pelo consumidor final. O processo depende não só de engajamento social, mas também de investimentos em pesquisa e inovação tecnológica por parte das empresas, para descobrir novas matérias-primas, por exemplo.

É nesse contexto que a Matéria Brasil se insere, ajudando a compartilhar informação com pessoas e empresas que se preocupam em reduzir os impactos socioambientais negativos de suas atividades. Os materiais listados podem ser utilizados para o desenvolvimento de novos produtos, que já começam gerando impactos menores na saúde do planeta. Um ponto interessante é que os fornecedores não pagam para estarem listados no site da empresa, que consegue manter sua independência para selecionar somente os materiais que acham adequados.

E como neste blog o que a gente quer é ajudar a divulgar boas ideias, deixo pra vocês o vídeo da Matéria Brasil:

Clique aqui para ver o vídeo


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Pequenas pessoas, pequenas coisas...

É mais ou menos assim:

"Muitas pessoas pequenas, que, em muitos lugares pequenos, fazem muitas coisas pequenas podem mudar a cara do mundo."
 - Provérbio Africano

Berlim: East Side Gallery

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Negócio Social: fazer o bem e dar lucro - O caso da Raízes Desenvolvimento Sustentável

Na semana passada, eu tive a oportunidade de conversar com a Marianne Costa, uma das empreendedoras sociais que criou a Raízes Desenvolvimento Sustentável.

Crédito: Agência Na Lata
Marianne Costa e Mariana Madureira: criadoras da Raízes Desenvolvimento Sustentável

A Raízes desenvolve projetos de turismo sustentável e viagens de experiência e comercializa artigos de artesanato produzidos pelas mulheres do Vale do Jequitinhonha. Em 2012, foi uma das finalistas do Prêmio Empreendedor Social da Folha, comprovando o grande sucesso do projeto e a importância do seu impacto no Vale.

Hoje, a Raízes carrega também outra bandeira, a do setor 2,5. As empreendedoras acreditam no negócio social, que gera impactos positivos para a comunidade, mas também dá lucro, o que o diferencia das Organizações Não-Governamentais (ONG).

A Marianne foi muito paciente e gentil e me contou um pouquinho da história da Raízes e dos principais desafios que ela e sua sócia, Mariana Madureira, enfrentam como empreendedoras sociais. 

1) Como surgiu a ideia de criar a Raízes?
A nossa turma foi a primeira turma de turismo na UFMG. Fomos nós que criamos a empresa júnior lá e sempre tivemos vontade de trabalhar com uma empresa voltada para o Desenvolvimento Sustentável em comunidades carentes. Quando formamos, fomos trabalhar em outras empresas fazendo projetos e em 2006 criamos uma empresa de consultoria, para desenvolver projetos de turismo sustentável. Entretanto, percebemos que não havia demanda pro tipo de projeto que nós verdadeiramente queríamos desenvolver, que eram projetos de desenvolvimento regional com base no potencial dessas regiões para gerar renda para as comunidades locais. Então, decidimos nós mesmas criar uma empresa para o desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha, baseado na comercialização do artesanato produzido na região e em turismo de experiência, com contato direto com os moradores e as artesãs.

2) E por que o Vale do Jequitinhonha?
Nós sabemos que o Vale é uma das regiões mais pobres de Minas Gerais e em várias feiras de artesanatos que visitávamos, sempre ficávamos encantadas com a beleza do artesanato produzido, principalmente a cerâmica. Víamos que apesar da baixa renda, a região tinha uma riqueza cultural imensa. Identificamos que havia um potencial maior de comercialização e decidimos criar uma loja virtual. A ideia era criar a ponte entre as artesãs e o público potencial.



Fotos cedidas pela Raízes Desenvolvimento Sustentável
O Vale do Jequitinhonha e as peças produzidas pelas artesãs

3) Como foi feito o contato com as comunidades?
Já tínhamos contato com algumas mulheres mais faladeiras, que conhecíamos nas feiras de artesanato que visitávamos, mas antes de irmos ao Vale comprar artesanato pela primeira vez, entramos em contato com alguns órgãos que já atuavam no local. O pessoal do IDENE nos ajudou a mapear algumas associações e então fomos com a cara e a coragem, para comprar os nossos primeiros produtos.

4) Quando vocês chegaram, qual foi a aceitação da comunidade? As pessoas entenderam o que vocês estavam indo fazer lá?
Em geral, as pessoas estavam muito abertas. Entretanto, nós tivemos que explicar que nossa intenção era praticar o comércio justo, que queríamos pagar o preço justo. Muitas queriam nos dar descontos ou entregar as peças apenas como artigos de mostruário. Muita gente faz isso: vai lá, pega artigos de mostruário, fala que vai encomendar mais peças depois e nunca mais aparece. Entretanto, essa não era a nossa intenção. As regras do comércio justo falam que os riscos devem ser assumidos pelo lado mais forte, que no caso, éramos nós, que queríamos repassar os produtos ao consumidor final. Então compramos tudo com nosso capital e não aceitamos descontos, o estoque tinha que ser nosso. Explicamos a elas que aquele trabalho tinha um grande valor e que elas deviam ter consciência disso, manter o preço justo.

5) Como vocês chegaram nessa definição do preço justo?
A maioria dessas comunidades já recebeu treinamentos do SEBRAE. Eu fiquei até impressionada com como o SEBRAE tem uma capilaridade boa e já chegou em comunidades isoladas. O pessoal do Sebrae já ensinou essas artesãs como calcular o preço certo, incluindo os custos, impostos e a margem de contribuição delas. Elas têm essa noção, mas muitas vezes não acreditavam no valor do produto delas e acabavam oferecendo descontos, só para garantir a venda. Então, o nosso maior trabalho foi aumentar essa auto-confiança e explicar que elas tinham que calcular esse preço e mantê-lo, para que se beneficiassem e melhorassem a renda da comunidade.

6) Quais foram os principais desafios de vocês no início da empresa?
Ah!, nós éramos muito inocentes. Começamos nosso negócio mais com o coração do que com a razão. No começo, tentamos trabalhar com 16 comunidades, mas percebemos que isso era muito para as nossas 4 mãos. A região do Vale é muito carente, mas se tentássemos ajudar a todos, acabaríamos não ajudando ninguém. Hoje, trabalhamos com apenas 3 comunidades, mas acreditamos que conseguimos gerar um impacto maior em cada uma. Além disso, achamos que seria fácil vender pela internet, porque a estrutura física requerida era menor. Entretanto, enfrentamos problemas de logística, tivemos clientes grandes e percebemos que poderíamos ter problemas com os prazos de entrega. Percebemos também que grande parte do que vendíamos era a história do Vale do Jequitinhonha e das artesãs. Quando participávamos de alguma feira ou exibição e contávamos ao público a história do artesanato, vendíamos muitas peças, mas pela internet era mais difícil sensibilizar as pessoas. Fomos aprendendo aos poucos e descobrindo a melhor forma de trabalhar. Mas isso é um processo contínuo, ainda hoje aprendemos muito, todos os dias.


"Percebemos que grande

parte do que vendíamos era
 a história do Vale do 
Jequitinhonha e das artesãs."

7) Na sua opinião, quais são os principais impactos da Raízes nas comunidades com as quais vocês trabalham?
Muitas mulheres que trabalham com artesanato no Vale o fazem por não terem outras alternativas. Como a região é pobre, muitos homens vão trabalhar na lavoura ou na construção civil em São Paulo ou na Bahia. Muitas vezes, os filhos maiores de 12 anos iam junto com os pais e as esposas ficavam sozinhas. Trabalhando com essas comunidades mais isoladas, percebi como muitas vezes temos uma visão míope de programas como o Bolsa Família. Sem esse tipo de programa, muitas mulheres realmente passavam fome, pois nem sempre os maridos conseguiam mandar parte da renda pra casa. Além disso, com o Programa, os meninos agora terminam a escola e saem de casa somente após os 18 anos. Nesse contexto, a ideia do nosso projeto é criar possibilidades. Queremos mostrar que o artesanato tem valor, mas queremos também que as mulheres exerçam essa atividade porque gostam, porque faz parte da tradição, porque elas percebem que podem ter renda sem sair da região do Vale, mas que isso não seja a única opção que elas tenham. Acredito que o nosso projeto é muito importante para o empoderamento da mulher. Já existem casos em que o marido voltou pra casa e percebeu que tem como gerar renda no Vale. Geralmente, eles também se envolvem no negócio do artesanato e podem ficar com as famílias. Também existem casos de filhas de artesãs que estudaram, mas escolheram trabalhar com artesanato. Além disso, o projeto acaba atraindo outros projetos para a região. Por exemplo, está em fase de planejamento um projeto para construção de caixas-d'água para armazenamento da água da chuva, que, além de resolver o problema da falta de água na região, pretende gerar empregos e manter os maridos perto dessas mulheres. Isso tudo sem falar que o aumento da renda ajuda a manter as crianças na escola, melhorando o nível de educação da população local.


 
Crédito: Agência Na Lata
Empoderamento Feminino: importante impacto gerado pela Raízes Desenvolvimento Sustentável, em linha com os Objetivos do Milênio, propostos pela Organização das Nações Unidas

8) Vocês já pensaram em exportar?
Sim, pensamos, mas ainda não achamos que é viável. Primeiramente, o artesanato brasileiro ainda não é competitivo, se comparado com o do Peru e da Bolívia, por exemplo. Além disso, como temos muitos produtos de cerâmica, a logística ainda é cara e complicada, sem falar em impostos e em toda a burocracia envolvida. Por enquanto, deixamos esse projeto de lado. Entretanto, acreditamos que o turismo de experiência ainda tem um grande potencial na região. Já temos inclusive uma parceria com a Global Routes, uma ONG norte-americana cujo objetivo é proporcionar educação experimental e serviço internacional  com respeito às comunidades locais.


Fotos cedidas pela Raízes Desenvolvimento Sustentável
Turismo de experiência no Vale: da deliciosa culinária ao aconchego e hospitalidade dos moradores locais


9) Vocês conseguem algum tipo de incentivo por serem um negócio social? O capital investido ainda é todo próprio?
Não recebemos incentivos. Esse é um dos nossos grandes desafios atuais. Como não somos uma ONG, mas estamos registradas como empresa, temos dificuldade de captar recursos governamentais. A maioria dos editais, tanto de incentivos do governo quanto de prêmios das Fundações ligadas a grandes empresas, não incluem a categoria negócio social e nós não podemos nos inscrever. Esse é um diferencial do prêmio da Folha, que aceita inscrições dessas empresas sociais que compõem o que chamamos de setor 2,5. 
O setor 2,5 é um negócio que gera impactos socioambientais positivos, mas que também pode dar lucro. Nós já pensamos em mudar nosso status para ONG, a fim de ter acesso a esses editais, mas ainda acreditamos que o negócio social é positivo e estamos lutando para um reconhecimento maior da importância do setor 2,5.
Nosso capital ainda é totalmente próprio, mas já existem fundos de investimento no mercado que incentivam pequenas empresas que geram impactos sociais, como é o caso das aceleradoras Artemísia e SWAP, por exemplo. Isso já mostra que o setor tem potencial de crescer.


Pra terminar, a Marianne me deu algumas dicas de leitura, que eu recomendo a todos que se interessam pelo assunto sustentabilidade e por negócios sociais:

 Bornstein, David, "How to Change the World", Ed. Record, 2005









Yunus, Muhammad, "O Banqueiro dos Pobres", Ed. Ática, 1997















domingo, 28 de abril de 2013

Jardim Colaborativo: O Prinzessinengarten em Berlim

A ideia do Prinzessinen Garten é simples: uma praça abandonada que ninguém usava se transforma em uma horta comunitária!

Todo mundo ajuda, ninguém precisa ser profissional. A ideia surgiu quando Robert Shaw, um dos idealizadores do projeto, voltou de Cuba. Primeiro ele contou pros amigos, depois descobriram pessoas que simpatizavam com a ideia. Um dia, no verão de 2009, se juntaram, limparam o local e com vontade de fazer diferente, criaram um novo espaço de interação, aprendizado, trabalho coletivo e relaxamento. As pessoas trabalham como voluntárias e garantem que também é um ótimo lugar para fazer novos amigos.

Foi criado também um café, que utiliza os produtos da horta do próprio Prinzessinengarten: orgânicos, saudáveis e gostosos! O café serve almoço todos os dias e ajuda a gerar fundos para comprar os suplementos que a horta precisa. 

Hoje o Prinzessinen é utilizado por pessoas de todas as idades. Acho que o vídeo abaixo, mesmo em alemão, já dá uma boa ideia de como o espaço pode ser utilizado para interagir e aprender!

Será que dá pra fazer um jardim urbano/horta comunitária perto de você?







sábado, 20 de abril de 2013

Começando

O sentimento do mundo e duas mãos. Foi o Carlos Drummond de Andrade que escreveu, mas acho que muita gente tem isso. O mundo é desafiador, tem problemas que nem sempre são fáceis de resolver. Muita gente quer melhorar o mundo, mas se sente pequena diante da tantos desafios e não sabe por onde começar.

Eu estudo Desenvolvimento Econômico e confesso que muitas vezes me desanimo, quando vejo quantos problemas o mundo tem. Por outro lado, sempre me animo de novo quando vejo quantas pessoas querem e se esforçam para mudar o mundo e quantos jeitos diferentes existem para provocar essa mudança.

Para aumentar minhas doses de animação e talvez animar outra pessoas foi que eu criei esse blog. Para mostrar que tem muita gente por aí fazendo a diferença com suas duas mãos. Acredito que, trocando ideias e experiências, descobrimos que existem mais que duas mãos para mudar o mundo.

Assim, o objetivo desse blog é compartilhar. Compartilhar ideias, contar histórias, dividir com outras pessoas o que eu ando aprendendo. Quanto mais compartilharmos, mais mãos juntaremos pra fazer o nosso sentimento do mundo ser mais que um sentimento e se transformar em mudança do mundo.

Mudança do nosso bairro, da nossa cidade, do nosso país, da nossa realidade. Pra mudar o mundo, podemos começar pequeno, mudar um pedacinho de cada vez. Depois contamos pro mundo como essa mudança foi feita e todo mundo começa a mudar o seu pedacinho também.

Eu vou começar contando as histórias que eu sei, de gente que eu conheço, de projetos bacanas que vi por aí e que acho que valem a pena serem divulgados. Também quero discutir conceitos, debates acadêmicos  e dar ideias de leitura pra quem é leigo e quer saber mais sobre o assunto. Espero que com o tempo, eu consiga ouvir cada vez mais histórias dessas que me encantam, me inspiram e me dão vontade de fazer mais.

Se você tiver uma história sobre um projeto simples que ajude a preservar o meio ambiente e a ampliar as possibilidades de pessoas de terem uma vida melhor, por favor me conte! Eu vou adorar colocar ela aqui também.

Um abraço e até mais!