sábado, 26 de outubro de 2013

Quando a sustentabilidade chega ao CFO

Sustentabilidade e finanças 

 

Fonte: http://pagina13.org.br/wp-content/uploads/2012/06/economia_verde.jpg
Fica cada vez mais claro que sustentabilidade não é filantropia. Isso não quer dizer que a filantropia perdeu sua importância ou que não seja mais uma prática desejável, principalmente em um mundo ainda tão cheio de desigualdades e injustiças sociais como o que vivemos. A diferença é que a sustentabilidade tem se mostrado muito mais como uma oportunidade de negócios interessante, lucrativa e que ainda gera diversos efeitos benéficos para o planeta e a sociedade.

Essa nova realidade tem chegado também à mesa dos executivos de finanças das grandes empresas. Iniciativas sustentáveis refletem em redução de custos, maior estabilidade econômica, melhores resultados e melhor avaliação da empresa no longo prazo. Se sustentabilidade é garantir que as gerações futuras não serão prejudicadas pelas atividades do presente, ao avaliar a empresa no longo prazo, não é muito difícil pensar que os negócios também serão beneficiados por contribuir para uma sociedade melhor no futuro.

Entretanto, não é preciso esperar muito tempo para perceber os impactos positivos que a adoção de práticas mais amigáveis à sociedade e ao planeta pode trazer. Primeiramente, pensar em soluções de eficiência energética e no uso de água, por exemplo, reduz os custos. Fontes alternativas de energia também ajudam a empresa a reduzir a vulnerabilidade e a dependência de uma única fonte. Ao capacitar funcionários e criar condições de segurança no trabalho, a empresa aumenta sua produtividade, reduz riscos de sofrer processos trabalhistas e o custo com indenizações por acidentes de trabalho. Além disso, condições adequadas aumentam a motivação e o engajamento dos funcionários. Prestar atenção às demandas da comunidade em que está inserida e estabelecer uma relação de parceria com governos locais e organizações da sociedade civil é também estratégico na medida em que reduzem-se riscos de se encontrarem barreiras inesperadas, como protestos e barreiras legais, além, é claro, de reduzir o risco de imagem da empresa. Assim, sustentabilidade está diretamente ligada à gestão de riscos e tem que estar na pauta dos executivos de qualquer empresa.

Pensando dessa forma, fica mais fácil entender que riscos menores também poderão ser percebidos com melhores olhos pelos investidores. Com menos riscos, eles poderão atribuir uma menor taxa de desconto na avaliação da empresa e, pra quem entende um pouquinho de finanças, aumentar o valor presente da mesma. 

Quem quiser olhar a bolsa de valores, também pode ter uma surpresa agradável ao verificar o que acontece com o valor das ações de empresas com práticas sustentáveis. A comparação das séries temporais do IBOVESPA e do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da BM&FBOVESPA) tem mostrado que as empresas sustentáveis são mais estáveis e tendem a performar melhor em períodos de crises, resistindo melhor às adversidades.

Apesar de todas essas evidênicias e boas notícias, as grandes empresas ainda enfrentam grandes desafios na busca por um mundo mais sustentável. Ainda é preciso padronizar indicadores e aperfeiçoar a publicação de relatórios integrados, que levem em consideração não apenas os resultados financeiros, mas também os impactos sociais e ambientais gerados em sua operação. O GRI (Global Report Initiative) tem se consolidado como a principal ferramenta utilizada pelas empresas nesse sentido, mas está em constante evolução.

Outro grande desafio é alinhar os horizontes de tempo entre os agentes do mercado, investidores, executivos e as grandes empresas. A construção de negócios sustentáveis exige que metas e premiações não estejam ligadas unicamente a ações de curto-prazo, mas que resultados também sejam considerados de acordo com a importância que terão no futuro.








quinta-feira, 24 de outubro de 2013

"Best for the world..."

O lançamento do Sistema B no Brasil


Hoje pela manhã, eu tive a honra de presenciar o lançamento do Sistema B no Brasil. O Sistema B objetiva redefinir o conceito de sucesso no mundo dos negócios, identificando e unindo empresas que têm o propósito de fazer do mundo um lugar melhor. O termo "Empresa B" refere-se à ideia de "Benefit Corporation", criada nos Estados Unidos.

O Sistema é formado por empreendedores que acreditam que é possível fazer negócios de uma forma nova, mais sustentável, gerando lucro e ao mesmo tempo impactos sociais e ambientais positivos,  contribuindo para a criação de uma nova economia. O processo de certificação de Empresas B busca evidenciar as empresas que efetivamente centralizam seu negócio nas mudanças sociais e ambientais esperadas, separando-as das empresas que apenas dizem que o fazem. Atualmente, já são mais de 850 empresas certificadas em 28 países, das quais 75 estão na América do Sul.

No palco do evento foram apresentados diversos casos de sucesso, como as recém-certificadas AOKA, Kapa + e Maria Farinha Filmes, além das pioneiras CDI Global, Ouro Verde Amazônia, Abramar, e Plano CDE

Júlio Moura Neto, do Instituto Arapyaú, enfatizou o potencial das universidades, professores e do envolvimento da academia na formação de uma nova mentalidade a respeito do que esperar das empresas, além da necessidade de também se criarem "consumidores B", capazes de pressionar a mudança de postura das empresas e atribuírem valor àquelas que trabalham por um mundo melhor. Jay Coen Gilbert, co-fundador do B-Lab nos Estados Unidos, ressaltou que é preciso utilizar os negócios como ferramentas para fazer o bem, criando modelos e indivíduos completos, que unem a cabeça e o coração para mudar a realidade.

Os desafios também foram apresentados: como captar recursos, como trabalhar, como provar que esse tipo de negócio também pode dar resultados financeiros e ainda, como despertar o desejo dos consumidores pelo produto sustentável. Há potencial e ainda há muito o que fazer.

O auditório cheio, reunindo representantes de empresas de todos os portes e de diversos setores, mostrou que a expansão desses negócios já é uma realidade. "É uma evolução sistêmica. Um novo ecossistema já existe e ele é global", ressaltou Marcel Fukayama, do CDI Global. O Sistema B vem unir e fortalecer as tantas mãos que já empreendem por um futuro melhor. Espera-se que o movimento cresça e inspire novos empreendedores a criarem essa nova economia proposta.

Vale a pena conferir também a palestra do Jay Coen Gilbert no TEDxPhilly:


Para saber mais sobre o Sistema B, acesse: http://www.bcorporation.net/
Para mais informações sobre como mensurar os impactos socioambientais da sua empresa, acesse: http://b-analytics.net/



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Sustentabilidade corporativa: onde estamos?

Breve análise do UN Global Corporate Sustainability Report 2013


A sociedade tem mudado sua forma de ver e se relacionar com o mundo. A crescente consciência de que os recursos naturais não são infinitos e de que o aumento da desigualdade e da exclusão social são prejudiciais não apenas para as camadas mais pobres da população têm afetado decisões de consumo e de investimento e a forma de muitas empresas fazerem negócios.

Uma nova geração chega ao mercado de trabalho preocupada em alinhar valores pessoais com suas atividades profissionais. Além disso, uma nova classe de empreendedores, conhecida como "empreendedores sociais", busca gerar lucro baseando-se em um modelo de inclusão social e responsabilidade ambiental. 

Na ONU, as discussões sobre os Objetivos de Desenvolvimento Pós-2015 já reconhecem o setor privado como parceiro fundamental, juntamente com governos e a sociedade civil, para a extinção da extrema pobreza até 2030. Mas, o que tem sido efetivamente feito? Como o mundo dos negócios tem lidado com as demandas por um mundo mais sustentável?

O Relatório Global de Sustentabilidade Corporativa 2013 (Global Corporate Sustainability Report 2013), produzido pelo Pacto Global da ONU, apresenta um mapeamento das ações sustentáveis de1712 empresas de 113 países. Essa base ainda é pequena e representa em sua maioria empresas que já assinaram o Pacto Global. Isso significa que o relatório provavelmente se refere às empresas em fases mais avançadas em termos da integração dos princípios de sustentabilidade e responsabilidade sociambiental em seus modelos de negócios.

Através da análise do documento, o que se pode verificar é que ainda há um longo caminho a ser percorrido. As empresas menores ainda apresentam dificuldades em inserir ações sustentáveis em seus negócios, por falta de recursos financeiros ou falta de conhecimento sobre como fazê-lo. As grandes empresas têm avançado, mas ainda há uma grande lacuna entre falar e fazer. Enquanto 65% das empresas respondentes já se comprometeram através de seus CEOs a tomar ações mais sustentáveis, apenas 35% possuem programas de treinamento para funcionários em nível gerencial, com o objetivo de efetivamente disseminar uma cultura mais sustentável dentro da empresa.

Adicionalmente, as grandes empresas ainda têm tido dificuldades em disseminar os princípios de sustentabilidade corporativa entre seus fornecedores e demais stakeholders. Apesar de muitas delas incluirem nas listas de exigência que seus fornecedores atendam determinados requisitos, poucas possuem programas que os auxiliem a se adequarem aos princípios esperados.

A boa notícia é que já se verificou uma evolução. As empresas que firmaram o compromisso com o Pacto Global em 2009 já realizaram avanços significativos para definir suas políticas de sustentabilidade, implementar ações e monitorar os 10 princípios propostos.

Para quem ainda não sabe como agir, a ONU disponibiliza manuais de implementação de modelo de gerenciamento, que visa auxiliar as empresas no processo de mudança da cultura organizacional. Também é possível obter informações sobre diversas iniciativas e estudos de caso por questão, região e setor, a fim de aprender com outras experiências.

Os padrões estão sendo criados, os objetivos estabelecidos conjuntamente. É preciso usar a criatividade, debater, trocar informações e ideias e descobrir quais são as principais dificuldades em todas as fases de implementação de um novo modelo mais sustentável, para que as soluções possam surgir. O mundo está mudando, o ambiente de negócios e investimentos também. As empresas que não se ajustarem gradualmente às novas demandas da sociedade logo ficarão para trás.

Para acessar o GLOBAL CORPORATE SUSTAINABILITY REPORT 2013 (em inglês), clique aqui
Mais informações sobre o Pacto Global você encontra aqui





quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A blogueira sumiu???

Gente do céu! Mas o último post foi em agosto! A blogueira sumiu? Fugiu? Esqueceu do blog?

"Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí..." Não, não pessoal. Não fugi, nem esqueci do blog não. Andei por aí, vi coisas legais, fui em palestras (até em alemão, que orgulho!), aproveitei pra por a leitura em dia, conversei com muita gente, passeei, descansei, renovei as energias e os ânimos e conheci algumas coisas muito legais que vou contar aos poucos aqui pra vocês.

Depois de morar por quase 2 anos em Berlim, muita coisa mudou na minha vida. Ou talvez tenha sido só eu que mudei mesmo e voltei, pensando diferente, sentindo diferente, olhando diferente. 

Morei sozinha em Berlim, por opção. Talvez o meu aprendizado de alemão tenha sido um pouco prejudicado por isso. Afinal, mesmo morando na capital da Alemanha, a minha língua oficial era inglês, pra usar no mestrado, pra escrever minha tese, pra conversar com meus amigos e me relacionar com as pessoas no prédio da residência estudantil onde eu morava. É que lá era o jeito mais viável de morar sozinha (sim, estou falando de custos) e ainda não me sentir só, já que tinha tanta gente que estudava comigo morando logo ao lado.

Eu já tinha morado em Sampa, em um apartamento divido com mais 4 meninas. Tínhamos quartos compartilhados, trabalhávamos juntas, não tínhamos prateleiras separadas na geladeira, almoçávamos juntas, jantávamos juntas e, incrivelmente, nunca enjoamos umas das caras das outras. A minha experiência em república eu descrevo como "melhor impossível".

Então, vamos lá: se morar em repúlica me ajudaria a melhorar o alemão, se a minha experiência anterior tinha sido tão positiva, por que cargas d'água eu decidi ficar sozinha lá na moradia estudantil em Berlim?

Bom, primeiro porque eu percebi que estava aprendendo muito com a comunidade internacional que me rodeava ali. Tinha gente de todo o mundo, do Uzbequistão ao México, passando pelo Vietnam, Azerbaijão, Butão, Uganda, Eritrea, Etiópia, Ghana, Gâmbia, Canadá, Colômbia... Ah! Aquela diversidade toda e a possibilidade de estar tão próxima dela, compartilhar segredos, percepções, impressões e experiências não tinham preço! 

Mas, mais que tudo isso, eu tinha também os meus momentos a sós, tão meus, tanto tempo para refletir, olhar pra dentro, descobrir quem eu era ali, no alto dos meus 27, 28, 29 anos... Como eu precisava disso!

Por isso voltei diferente! Me sinto nova e ao mesmo tempo um pouco mais sabida pelas experiências de antes, pelas vivências de lá, e agora, muito, muito mais aberta a prestar atenção nas experiências que virão. 

Sabendo da minha ignorância que nunca diminuirá e sabendo que cada dia aprenderei mais, deixarei meus olhos abertos, o coração mais mole às vezes, ou mais duro quando necessário, o cabelo vai ao vento, mas a direção ainda sob controle. Quero que a vida me leve, mas não vou só seguir o vento, posso mudar a direção da vela para seguir meu rumo pra onde eu penso que devo ir, pra onde eu veja que estou feliz!

Talvez de agora em diante muitos me chamem sonhadora, outros tantos pensem que endoidei de vez! Mas, eu não sumi. Sou eu mesma, só que diferente. Sei pra onde quero ir e sim, quero usar essa cabeçona que Deus me deu pra fazer um mundo diferente, pra sentir que eu ajudei a fazer melhor!

O melhor é que tenho cada dia mais certeza que não estou sozinha. Tenho o sentimento do mundo, mas somos muito mais que duas mãos! Vamos que vamos, que estamos só começando!

Já, já novo post pra vocês!

"You may say I am a dreamer, but I am not the only one..." John Lennon