Sustentabilidade e finanças
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Fica cada vez mais claro que sustentabilidade não é filantropia. Isso não quer dizer que a filantropia perdeu sua importância ou que não seja mais uma prática desejável, principalmente em um mundo ainda tão cheio de desigualdades e injustiças sociais como o que vivemos. A diferença é que a sustentabilidade tem se mostrado muito mais como uma oportunidade de negócios interessante, lucrativa e que ainda gera diversos efeitos benéficos para o planeta e a sociedade.
Essa nova realidade tem chegado também à mesa dos executivos de finanças das grandes empresas. Iniciativas sustentáveis refletem em redução de custos, maior estabilidade econômica, melhores resultados e melhor avaliação da empresa no longo prazo. Se sustentabilidade é garantir que as gerações futuras não serão prejudicadas pelas atividades do presente, ao avaliar a empresa no longo prazo, não é muito difícil pensar que os negócios também serão beneficiados por contribuir para uma sociedade melhor no futuro.
Entretanto, não é preciso esperar muito tempo para perceber os impactos positivos que a adoção de práticas mais amigáveis à sociedade e ao planeta pode trazer. Primeiramente, pensar em soluções de eficiência energética e no uso de água, por exemplo, reduz os custos. Fontes alternativas de energia também ajudam a empresa a reduzir a vulnerabilidade e a dependência de uma única fonte. Ao capacitar funcionários e criar condições de segurança no trabalho, a empresa aumenta sua produtividade, reduz riscos de sofrer processos trabalhistas e o custo com indenizações por acidentes de trabalho. Além disso, condições adequadas aumentam a motivação e o engajamento dos funcionários. Prestar atenção às demandas da comunidade em que está inserida e estabelecer uma relação de parceria com governos locais e organizações da sociedade civil é também estratégico na medida em que reduzem-se riscos de se encontrarem barreiras inesperadas, como protestos e barreiras legais, além, é claro, de reduzir o risco de imagem da empresa. Assim, sustentabilidade está diretamente ligada à gestão de riscos e tem que estar na pauta dos executivos de qualquer empresa.
Pensando dessa forma, fica mais fácil entender que riscos menores também poderão ser percebidos com melhores olhos pelos investidores. Com menos riscos, eles poderão atribuir uma menor taxa de desconto na avaliação da empresa e, pra quem entende um pouquinho de finanças, aumentar o valor presente da mesma.
Quem quiser olhar a bolsa de valores, também pode ter uma surpresa agradável ao verificar o que acontece com o valor das ações de empresas com práticas sustentáveis. A comparação das séries temporais do IBOVESPA e do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da BM&FBOVESPA) tem mostrado que as empresas sustentáveis são mais estáveis e tendem a performar melhor em períodos de crises, resistindo melhor às adversidades.
Apesar de todas essas evidênicias e boas notícias, as grandes empresas ainda enfrentam grandes desafios na busca por um mundo mais sustentável. Ainda é preciso padronizar indicadores e aperfeiçoar a publicação de relatórios integrados, que levem em consideração não apenas os resultados financeiros, mas também os impactos sociais e ambientais gerados em sua operação. O GRI (Global Report Initiative) tem se consolidado como a principal ferramenta utilizada pelas empresas nesse sentido, mas está em constante evolução.
Outro grande desafio é alinhar os horizontes de tempo entre os agentes do mercado, investidores, executivos e as grandes empresas. A construção de negócios sustentáveis exige que metas e premiações não estejam ligadas unicamente a ações de curto-prazo, mas que resultados também sejam considerados de acordo com a importância que terão no futuro.