O lançamento da 9ª carteira do ISE, da BMF&BOVESPA (1ª Parte)
No dia 29 de novembro, eu estive na BMF&BOVESPA para o lançamento da carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que vigorará de 06 de janeiro de 2014 a 02 de janeiro de 2015. A carteira será composta por 40 empresas e 22 delas autorizaram a abertura das respostas ao questionário do ISE para o mercado. A BMF&BOVESPA espera que no próximo ano todas as empresas autorizem essa abertura.
O que fica claro em um evento como este é que a sustentabilidade é tema crescente também na pauta de investidores. Embora ainda haja uma grande discussão sobre o preço da sustentabilidade para as empresas, fica cada vez mais claro que os custos da insustentabilidade podem ser elevados demais para a sociedade e não há espaço para tolerá-los por muito tempo. O professor Mário Monzoni, do GVces, responsável pela metodologia do ISE, destacou: "Não é que a sustentabilidade seja cara. A insustentabilidade é que é barata e gera uma série de externalidades negativas para a sociedade. Essas externalidades precisam ser precificadas. Se o VPL* e a TIR** permanecem, precisamos inserir os custos dos modelos insustentáveis nos fluxos de caixa. Estamos entrando na era da internalização das externalidades."
O professor destacou ainda que já estão sendo desenvolvidas metodologias que insiram essas externalidades no balanço das empresas e também nas contas nacionais, para que a sustentabilidade seja formalmente pauta importante na elaboração de políticas públicas.
Algumas empresas participantes da nova carteira tiveram a oportunidade de compartilhar suas experiências. Leandro Veiga, representante do grupo Fleury, que integra pela primeira vez a carteira do ISE, se mostrou bastante otimista: "O processo foi conduzido conjuntamente pelas áreas de Relações com Investidores e sustentabilidade, mas o apoio do top management foi fundamental. A inserção na carteira do ISE propiciou a união da equipe e foi feito um exercício de reflexão e autoconhecimento nas diversas áreas da empresa."
Adriana Boscov, da Sul América, contou que os relatórios do ISE foram utilizados por investidores no processo de avaliação da empresa e representaram um grande diferencial. Paulo Senra, da Light, também destacou a importância de se fazer parte da carteira: "Estar na carteira é importante porque reforça que estamos no caminho certo e dá sentido ao termo sustentabilidade, que ainda é tão difuso. O ISE ajuda a movimentar diversas áreas internas e os manuais servem como referência para as práticas."
Muitos executivos ainda precisam ser convencidos da importância de se incorporar a sustentabilidade na estratégia das empresas. Entretanto, os avanços alcançados não podem ser desconsiderados. "Sustentabilidade é trabalho de formiga. Um dia de cada vez. A consciência está aumentando e os executivos estão mudando todos os dias", destacou Adriana Boscov, da Sul América.
A segunda parte do evento destacou o impacto da sustentabilidade na reputação e na decisão dos investidores. Foi muito interessante, mas pra não me alongar demais, essa discussão fica para o próximo post!
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