Então é assim. Queríamos fazer algo pra mudar o mundo, mas estamos muito ocupados dentro de uma grande organização. Fazemos hora extra, nos dedicamos, queremos entregar um bom trabalho, esperamos reconhecimento, ficamos de olho na possibilidade de uma nova promoção. E aí, não sobrou tempo para mudar o mundo. Será?
Você já ouviu falar em INTRAPRENEURSHIP?
Tentei traduzir pelo Google Translator, mas não deu certo. Será um sinal de que o termo ainda não está sendo muito usado? Acho uma pena. É uma ideia que deveria estar sendo espalhada por aí o tempo todo, em todo lugar, principalmente dentro das grandes empresas.
O termo em Português é "INTRAEMPREENDEDORISMO" e significa ter atitudes empreendedoras dentro das grandes organizações. Inovar, motivar, tratar o seu trabalho de forma especial e diferenciada, mesmo se você não é dono do seu próprio negócio.
Eu diria que um "intraempreendedor" tem que ser muito mais que um inovador, mas um "contagiador". Divulgar boas ideias e boas práticas ali, dentro da grande empresa em que trabalha. Contagiar o meio com boas ideias, com atitudes sustentáveis. Não só levar ideias boas para cima, mas prinicipalmente para os lados. Convencer os colegas da importância de pequenas atitudes. Pensar na economia de energia não só pra reduzir os custos da instituição, mas porque é bom para o mundo mesmo.
Ser um intraempreendedor, assim como ser um empreendedor, exige uma coisa muito básica: paixão. Paixão pelo que fazemos, paixão por estar onde estamos, paixão por nós mesmo, pelo mundo, pela mudança. Paixão pelo incômodo e pela desacomodação. Paixão por ser e fazer diferente sempre.
As possibilidades estão em todo lugar e, dentro de uma grande corporação também é possível ajudar. Quem sabe criar um grupo de voluntários? Conhecer as iniciativas das fundações ou institutos que a sua empresa apoia? Ajudar a mobilizar colegas para apoiar uma boa causa? Facilitar a comunicação, praticar a gentileza, promover a mudança começando pelo lado de dentro.
E aí? Vamos começar?
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Tem alguns outros textos bem legais sobre INTRAEMPREENDEDORISMO por aí:
Os dois lados do intraempreendedorismo
Do empreendedorismo ao intraempreendedorismo
"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo"
Um blog para juntar mãos que trabalham por um mundo mais legal
domingo, 5 de julho de 2015
Sempre é tempo de recomeçar
Uma vez eu li que há um ditado japonês que diz: "O melhor dia para se plantar uma árvore foi há 50 anos. O segundo melhor dia é HOJE."
Bom, já diz tudo, né? Eu não queria ter parado de escrever neste blog, mas por razões diversas, outras atividades e preocupações acabaram desviando meu tempo. Muitas vezes me deu vontade de recomeçar. Tantas vezes, em conversas ou em leituras ou só observando da janela do ônibus ou do avião, ideias pra escrever apareceram na minha cabecinha enminhocada. E eu facilmente me distraía de novo.
Agora sentei aqui, sem desculpa nenhuma. Simplesmente recomeçando.
E como inspiração, digo só assim: que tenhamos sempre vontade e coragem de RECOMEÇAR!
Bom, já diz tudo, né? Eu não queria ter parado de escrever neste blog, mas por razões diversas, outras atividades e preocupações acabaram desviando meu tempo. Muitas vezes me deu vontade de recomeçar. Tantas vezes, em conversas ou em leituras ou só observando da janela do ônibus ou do avião, ideias pra escrever apareceram na minha cabecinha enminhocada. E eu facilmente me distraía de novo.
Agora sentei aqui, sem desculpa nenhuma. Simplesmente recomeçando.
E como inspiração, digo só assim: que tenhamos sempre vontade e coragem de RECOMEÇAR!
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
"Estamos entrando na era da internalização das externalidades"
O lançamento da 9ª carteira do ISE, da BMF&BOVESPA (1ª Parte)
No dia 29 de novembro, eu estive na BMF&BOVESPA para o lançamento da carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que vigorará de 06 de janeiro de 2014 a 02 de janeiro de 2015. A carteira será composta por 40 empresas e 22 delas autorizaram a abertura das respostas ao questionário do ISE para o mercado. A BMF&BOVESPA espera que no próximo ano todas as empresas autorizem essa abertura.
O que fica claro em um evento como este é que a sustentabilidade é tema crescente também na pauta de investidores. Embora ainda haja uma grande discussão sobre o preço da sustentabilidade para as empresas, fica cada vez mais claro que os custos da insustentabilidade podem ser elevados demais para a sociedade e não há espaço para tolerá-los por muito tempo. O professor Mário Monzoni, do GVces, responsável pela metodologia do ISE, destacou: "Não é que a sustentabilidade seja cara. A insustentabilidade é que é barata e gera uma série de externalidades negativas para a sociedade. Essas externalidades precisam ser precificadas. Se o VPL* e a TIR** permanecem, precisamos inserir os custos dos modelos insustentáveis nos fluxos de caixa. Estamos entrando na era da internalização das externalidades."
O professor destacou ainda que já estão sendo desenvolvidas metodologias que insiram essas externalidades no balanço das empresas e também nas contas nacionais, para que a sustentabilidade seja formalmente pauta importante na elaboração de políticas públicas.
Algumas empresas participantes da nova carteira tiveram a oportunidade de compartilhar suas experiências. Leandro Veiga, representante do grupo Fleury, que integra pela primeira vez a carteira do ISE, se mostrou bastante otimista: "O processo foi conduzido conjuntamente pelas áreas de Relações com Investidores e sustentabilidade, mas o apoio do top management foi fundamental. A inserção na carteira do ISE propiciou a união da equipe e foi feito um exercício de reflexão e autoconhecimento nas diversas áreas da empresa."
Adriana Boscov, da Sul América, contou que os relatórios do ISE foram utilizados por investidores no processo de avaliação da empresa e representaram um grande diferencial. Paulo Senra, da Light, também destacou a importância de se fazer parte da carteira: "Estar na carteira é importante porque reforça que estamos no caminho certo e dá sentido ao termo sustentabilidade, que ainda é tão difuso. O ISE ajuda a movimentar diversas áreas internas e os manuais servem como referência para as práticas."
Muitos executivos ainda precisam ser convencidos da importância de se incorporar a sustentabilidade na estratégia das empresas. Entretanto, os avanços alcançados não podem ser desconsiderados. "Sustentabilidade é trabalho de formiga. Um dia de cada vez. A consciência está aumentando e os executivos estão mudando todos os dias", destacou Adriana Boscov, da Sul América.
A segunda parte do evento destacou o impacto da sustentabilidade na reputação e na decisão dos investidores. Foi muito interessante, mas pra não me alongar demais, essa discussão fica para o próximo post!
Para saber mais sobre o ISE, clique aqui.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Manual do G4 em Português
Para acessar, clique aqui.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Prêmio Empreendedor Social da Folha 2013
Inspiração. Esta palavra é a que melhor resume o que senti ontem, enquanto eu assistia a cerimônia de entrega dos prêmios Empreendedor Social de Futuro e Empreendedor Social promovidos pela Folha de São Paulo e pela Fundação Schwab. Primeiramente, já é muito legal saber que o prêmio recebeu 277 inscrições. (É muita gente tentando mudar o mundo, hein?) Depois, ir conhecendo melhor todas aquelas histórias foi uma grande injeção de ânimo pra mim.
Luiz Ribas, Diego Moreira e Alexandre Amorim, fundadores da ASID, foram os grandes campeões do Prêmio Empreendedor Social de Futuro e também foram os escolhidos pelos leitores da Folha na categoria "A Escolha do Leitor". O que os meninos fazem é simples, mas tem um grande potencial de transformação. Eles ajudam as escolas que atendem crianças especiais em Curitiba a repensarem todo o seu modelo de gestão. Ajudam essas escolas a analisarem as contas, reverem suas estratégias de comunicação e marketing, identificar os pontos que precisam ser melhorados, estabelecer objetivos e ir atrás de recursos para promoverem as mudanças necessárias. As parcerias são estabelecidas e, nesse movimento, esses economistas de 24 anos já conseguiram reformar 18 escolas para crianças especiais.
A campeã da categoria Empreendedor Social foi Merula Steagal, fundadora da Abrale e da Abrasta. As duas associações têm como objetivo melhorar a vida de portadores de doenças do sangue. O objetivo dela é trazer informações, influenciar políticas públicas, possibilitar o acesso aos melhores tratamentos e conectar pessoas que já foram curadas com pacientes, trazendo esperança e força para superar a doença. Ufs!Quanta coisa boa!
Fora os grandes vencedores, as histórias de todos os finalistas trazem muita inspiração. Juntar mãos de mulheres empreendedoras cheias de talento e ainda ajudar empresas a reutilizarem o material descartado fazendo brindes promocionais são algumas das atividades da Asta. Na Meu Rio, o objetivo é utilizar uma plataforma virtual para dar voz ao povo e pressionar o governo a ouvir a população, influenciando as políticas públicas. A Arte Despertar procura melhorar a vida de pacientes através da arte, focando no educador que faz a intermediação entre o hospital e os pacientes. A Vaga Lume resgata a arte de contar histórias para incentivar crianças a lerem mais e chamar a atenção de comunidades para as bibliotecas existentes, fazendo com que os livros saiam das prateleiras. Tony Marlon, da Escola de Notícias, juntou sua paixão por comunicação e a vontade de ajudar para fazer uma escola de comunicação na comunidade do Campo Limpo, em São Paulo, gerando renda e oportunidade de capacitação para os jovens da comunidade.
Quer mais? Sim, tem mais. Este ano foi criada também a categoria Menção Honrosa, premiando projetos alinhados com o objetivo selecionado pela Assembleia Geral da ONU. Como 2013 foi o Ano Internacional de Cooperação pela Água, quem levou o prêmio foi o José Dias, do CEPFS, que ajuda a construir cisternas e transformar realidades no interior da Paraíba. No discurso de recebimento do prêmio, o Sr. José Dias enfatizou: Para mudar sua realidade, as pessoas não precisam ser protegidas, elas precisam ser promovidas!" No ano que vem, o tema será agricultura familiar.Se você tem umprojeto alinhado a este objetivo, lembre-se de se inscrever!
Outro discurso inspirador foi o do Fernando Botelho, ganhador do Prêmio no ano passado. O Fernando é cego e transformou sua deficiência em um negócio para mudar a vida de muitas pessoas. A F123 cria tecnologias de baixo custo que possibilitam a inclusão de deficientes visuais no mercado de trabalho. A solução pode ajudar também muitas empresas que querem incluir essas pessoas em seu quadro de funcionários, mas muitas vezes não sabem como fazê-lo. (Ei, empresas, fiquem atentas a essa oportunidade!)
Tantas histórias assim, reunidas em um único palco. Não há nada melhor para nos convencermos de que somos muito mais do que duas mãos! Parabéns à Folha, à Fundação Schwab e a todos os parceiros, por incentivar esses negócios e ainda inspirar tantos outros a caminharem na mesma direção: a direção da mudança por um mundo melhor.
Para conhecer em detalhes cada um dos finalistas do prêmio da Folha e da Fundação Schwab, você pode acessar: http://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Resiliência
Resiliência é um termo da Física e se refere ao "valor característico da resistência ao choque oferecida por um material." O leitor pode agora estar se perguntando: "Por que estamos falando disso neste blog? O que resiliência tem a ver com sustentabilidade?" Bem, eu diria que basicamente tudo.
Há algumas semanas, foram colocados aqui alguns exemplos de como a sustentabilidade pode ser parte essencial da gestão de riscos e geração de valor para as empresas no curto e no longo prazo. Se a empresa é avaliada pelo mercado no longo prazo, com base em seus fundamentos e sua capacidade de gerar valor, o investidor também deve estar atento à capacidade da empresa para lidar com imprevistos e choques inesperados. Já percebeu como resiliência e sustentabilidade estão relacionadas?
A adoção de práticas sustentáveis contribui de diversas formas para aumentar a resiliência da empresa, ou, sua capacidade de resistir a choques. Primeiramente, podemos considerar, por exemplo, as alterações climáticas. A redução de emissão de gases que provocam o efeito estufa pode ajudar a reduzir a ocorrência de variações climáticas bruscas, aumentando a previsibilidade de tais variações e melhorando a capacidade das empresas de se planejarem.
Em segundo lugar, podemos pensar também na dimensão social da sustentabilidade. O estabelecimento de uma relação de cumplicidade com as comunidades locais cria uma visão de parceria para ambas as partes. Além de construir um ambiente de negócios mais amigável, as ações que se voltam para ampliar as oportunidades de jovens através da educação e capacitação, por exemplo, colaboram também para a formação de mão-de-obra qualificada, criam um ambiente mais propício à difusão do conhecimento e à inovação, essenciais para aumentar a produtividade e a competitividade de todas as empresas.
Além disso, a capacidade de inovar é, sem dúvida, um dos fatores cruciais para as empresas resistirem a diversos tipos de choques.
Assim, incorporar a sustentabilidade ao modelo de negócio é benéfico não apenas para a sociedade, mas para a própria empresa, que aumenta sua resiliência e sua capacidade de lidar com adversidades. Muitas empresas já perceberam isso, mas o movimento está apenas começando.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
A Dimensão Econômica da Sustentabilidade
Quando se fala em sustentabilidade, muitas pessoas pensam automaticamente no meio ambiente, conservação de florestas, reciclagem, mudanças climáticas, emissões de carbono, redução do consumo de energia ou utilização de recursos renováveis. Tudo isso é extremamente importante, mas sustentabilidade não se restringe às questões ambientais. As dimensões econômica e social também possuem grande relevância.
Além da tendência a esquecer das dimensões econômica e social, tenho percebido em conversas informais que muitas vezes há um equívoco com relação a dimensão econômica. Ao contrário do que muitos pensam, econômico não significa financeiro. Isso está muito claro, por exemplo, nos guias do GRI (Global Reporting Initiative) para elaboração dos relatórios de sustentabilidade das empresas:
"A dimensão econômica da sustentabilidade refere-se aos impactos da organização nas condições econômicas de seus stakeholders e nos sistemas econômicos em que a empresa está inserida, em âmbito local, nacional e global. Não foca na condição financeira da organização."
(Global Reporting Initiative, Reporting Principles and Standard Disclosures, p. 5 - tradução livre)
Pra quem ficou confuso, eu explico. Avaliar a dimensão econômica não se restringe a fazer uma análise dos balanços das empresas, nem só saber se ela será capaz de gerar recursos financeiros para pagar suas contas no curto, médio ou longo prazo. A análise econômica avalia também fatores como produtividade, competitividade, a capacidade que a organização tem de gerar oportunidades no meio em que está inserida, as oportunidades de indivíduos superarem a pobreza, o conhecimento que é gerado e difundido na sociedade, o conhecimento que é absorvido da comunidade local, a geração de novas tecnologias, a interação com universidades, as repostas ou as oportunidades que surgem com as políticas públicas, os impactos causados por alterações no cenário macroeconômico, os impostos que a empresa paga, o emprego e renda que gera não só em sua cadeia de valor, mas em todas as atividades que a empresa inidiretamente ajuda a criar. Estes são apenas alguns exemplos do que está envolvido na dimensão econômica.
Assim, a realização de uma análise econômica ampla e completa torna-se estratégica não apenas por avaliar os impactos da empresa e detectar possíveis riscos, mas por possibilitar também a detecção de boas oportunidades para afetar positivamente o desenvolvimento local da comunidade em que está inserida e ainda trazer benefícios de longo prazo para a organização.
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